“É um cantinho humilde, mas é gostoso”, brinca a gerente do Pitos Lanche, Ana Maria Maciel, que fica na esquina da Avenida Conselheiro Furtado com a Travessa Castelo Branco, no bairro de São Brás, em Belém. O empreendimento abre de segunda a segunda e tem como carro chefe o famoso “Big Leitão”, um sanduíche cujo recheio é pernil de porco, que atrai dezenas de pessoas por causa do cheiro e do sabor.
Ana Maria conta com orgulho que o “big leitão” já foi experimentado pela cantora Gaby Amarantos e pela atriz paraense Dira Paes. “O Eder Mauro também vinha muito aqui e jogadores de futebol também. Mas trato todo mundo igual, todos são nossos clientes e recebem o mesmo respeito”, exalta.
Não muito distante dali, porém no centro da cidade, mais precisamente na esquina da rua Gama Abreu em frente à Praça da Sereia, bairro da Campina, funciona o Rosário Lanches. O trailer nesta esquina é um point favorito de vários estudantes e trabalhadores que frequentam as redondezas. Ali, se prepara rapidamente diversos tipos de sanduíches mais os mais solicitados sempre são o “cachorro quente” e o “X-Eggs-Bacon”. Todos ficam ainda mais saborosos com a salada que compõem o recheio destes lanches.
Este “cachorro quente”, como são conhecidos estas lanchonetes de esquina, é o local favorito do professor Diego Jacques toda vez que ele quer lanchar – as vezes até jantar. “Já viajei por países como França e Alemanha e também várias cidades brasileiras, nenhuma delas tem tantos lanches gostosos como estes de Belém”, comentou.
Sim, para ele o hábito de fazer uma boquinha nestes estabelecimentos representam a cultura do povo paraense e uma particularidade da gastronomia paraense. “Eu também frequento os fast food da vida, mas eles não têm um lanche com tanto sabor como estes de esquinas”, pondera.
Na Avenida João Paulo II, no bairro do Marco, o “Lanches do Louro” também é conhecido naquela área. No bairro da Pedreira, o lanche do Guigui é a referencia. O empreendimento é um dos mais jovens da cidade com apenas 15 anos de existência, mas já possui, inclusive serviço de delivery. “Apesar de termos serviços de entrega as pessoas preferem vir comer aqui. Acho que é algo que faz parte da cultura, dos nossos hábitos”, disse Fabio Mota, gerente do local. “O nosso carro chefe é o triplo-X”, acrescentou.
Nem sempre tais cachorros quentes apresentam as mesmas condições de higiene que um estabelecimento que seguem os modelos norte americanos. No entanto, não importa quantos fast foods abrem em Belém. Em cada esquina onde estiver um cachorro quente já sabe que a noite estará lotado.
Uma prova de que os cachorros quentes de esquina estão enraizados na cultura dos belenenses é o ‘Lanches Paraense’, localizado na esquina da travessa 14 de Março com Avenida Nazaré, atrás da Basílica Santuário. Esta lanchonete funciona bem em frente a uma famosa franquia norte americana, porém geralmente tem mais clientes que o tal concorrente.
Questionado sobre a lanchonete tem que atrai tantos consumidores, o gerente do “lanche” Carlos Frank, ressalta que o sanduíche de esquina tem mais cheiro, mas sabor, mais tempero. “Mas não é somente isso. É porque ele é preparado com o mesmo sentimento hospitaleiro que o povo paraense tem”, enfatiza.
O Lanches Paraense existe há 50 anos e foi um negócio que começou com os avós de Carlos. “O vovô e a vovó que começaram. Depois os filhos assumiram e agora estou aqui. É uma tradição que já chega a terceira geração e cada ano a gente consegue atrair mais clientes”, expõe.
De uma maneira geral, os “cachorros quentes” de esquina são tão conhecidos em Belém que é possível mapear a cidade somente por este segmento gastronômico – que inclusive se subdivide em categorias.
Por outro lado, estas lanchonetes, além de representarem a cultura e a identidade local, consistem num importante segmento econômico que gera emprego e renda. O lucro de um empreendimento destes pode chegar até R$ 4 mil reais por dia.
No Pitos Lanche, por exemplo, por dia são consumidos cerca de 25 Kg de carne de porco e é um negócio de família. Ana Maria lembra que o empreendimento começou com um carrinho de madeira no qual se vendia somente cachorro quente. “Hoje temos sete funcionários, ou seja, são oito famílias que se sustentam desta atividade. A nossa e a dos nossos colaboradores”, considera Ana Maria.

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